24 de agosto de 2009

O Mentiroso

Diretor de “O Mentiroso”, próximo espetáculo de Ismael de Araujo,dá palhinha no Ocus Blogus!


Batemos um papo com o diretor Matteo Bonfitto, que está dando forma ao mais novo espetáculo de Ismael de Araujo – “ O Mentiroso”, com temporada confirmada para os meses de outubro e novembro no Teatro Coletivo, em São Paulo. O diretor falou sobre o desafio de unir três linguagens distintas – teatro, música e ilusionismo – para desenvolver um novo conceito de espetáculo e deu uma palhinha sobre o que o público vai encontrar pela frente. Vejam só:

1- Descreva conceitualmente o espetáculo “O Mentiroso”.

“O Mentiroso” é um espetáculo que pretende provocar uma reflexão sobre a verdade e a mentira, sobre as tensões que existem entre essas duas dimensões existenciais em diferentes níveis. Assim, vários aspectos serão tratados, desde ética, política e religião, até o auto-conhecimento e o amor. O ilusionismo cumpre um papel importante nesse caso porque torna essas tensões mais evidentes.


2- Como foi o trabalho de ressignificar números clássicos do ilusionismo?

Antes do trabalho de ressignificação, acho que é importante dizer que o ilusionismo sempre me fascinou, devido a sua capacidade de relativizar o que pensamos saber. Quando iniciamos esse trabalho, eu e o Ismael de Araujo, esse imaginário veio à tona de um jeito muito forte e pra mim ele foi um suporte que possibilitou essa ressignificação. Acho que para dar novos sentidos a alguma coisa é preciso ao mesmo tempo estar distante e próximo dessa coisa. Foi isso o que aconteceu nesse caso.

O ator e ilusionista Ismael de Araujo levita um cigarro no espetáculo " O Mentiroso" para falar do vício, da mentira e de outras obsessões e compulsões do ser humano.


3- E a dramaturgia? Qual foi o caminho que vocês escolheram para fazer o texto da peça?

Iniciamos com a leitura de um texto de Jean Cocteau que se chama justamente “O Mentiroso”, mas aos poucos vimos que era preciso alargar o horizonte da personagem. Na versão de Cocteau as questões se restringem ao universo dela. Já na nossa versão inserimos a relação com uma mulher – real ou imaginária? – que revela outras facetas da personagem. De qualquer forma, os estímulos produzidos pelo texto de Cocteau permanecem como aspectos que permeiam os processos interiores da personagem masculina, sobretudo nos momentos de maior fragilidade emocional. Além da parceria com Bianca Zanatta, que está escrevendo o texto, a colaboração com o Ismael e com a Fernanda Belinatti tem sido fundamental para a construção da dramaturgia. É um trabalho real de equipe.


4- E por que a escolha da discussão sobre verdade e mentira?

Em primeiro lugar porque é uma discussão profundamente humana, que vai além das classes sociais e das culturas. É uma discussão portanto que pode produzir uma grande ressonância. Considerar algo como sendo verdade ou mentira está muitas vezes relacionado com o próprio ponto de vista. Além disso, por outro lado, acho que vivemos um momento no Brasil em que essa discussão é mais do que necessária, não somente em função dos escândalos políticos, mas em função de uma reflexão sobre nossa própria identidade.


5- Fale um pouco da sua proposta de encenação para “O Mentiroso”.

Apesar da utilização de alguns equipamentos de ilusionismo, estamos buscando uma encenação limpa, quase minimalista. O espaço sugere ao mesmo tempo um apartamento, o dele, e um espaço onírico, onde o imaginário do espectador pode se infiltrar a completar as sugestões a partir da própria subjetividade.

Fernanda Bellinati, Ismael de Araujo e o violoncelista Boaz de Oliveira em cena no espetáculo "O Mentiroso"


6- E a música? Como se constrói esse tripé teatro/ilusionismo/música no espetáculo?

A música nesse caso não tem uma função decorativa, de construção de atmosferas. Em vários momentos ela tem como objetivo materializar os processos interiores da personagem masculina. Da mesma forma, o violoncelista que aparecerá no canto da cena não será simplesmente um musicista, mas funcionará como uma espécie de espelho da personagem masculina, e é em função de tal fato que o figurino usado por eles será o mesmo. Sendo assim, podemos dizer que se trata aqui de um tipo de teatro-musical-ilusionista que busca fundir as três linguagens de diferentes modos.


7- Fale da “desespetacularização” do número de mágica. Qual o objetivo disso?

Desespetacularizar o número de mágica significa antes de tudo uma estratégia de ampliação de suas possibilidades expressivas e artísticas. Mais do que uma mera demonstração de habilidades, podemos perceber que um número de mágica pode ter uma potência metafórica surpreendente.


Matteo Bonfitto é ator, diretor, pesquisador teatral e professor do departamento de Artes Cênicas da Unicamp. Fundou o núcleo “Performa” de pesquisa teatral.

2 comentários:

Anônimo disse...

oLA ISmaEL..CAra queria te pergunta onde vai ser este show que eu não fiquei por dentro das datas e locas : é em curitiba??? valeu.

Unknown disse...

opa! por enquanto faremos apenas em SP, mas me siga no twitter e continue acompanhando o blog q ano que vem excursionaremos com o espetáculo. abração! twitter.com/ismaeldearaujo